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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Fogueiras de Natal - Aquecer a noite do Menino Jesus

Mäyjo, 24.12.14

Fogueiras de Natal - Aquecer a noite do Menino Jesus

«Fogueira de Natal», «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo». Muitos são os nomes dados a uma mesma tradição portuguesa. Os rapazes, em Dezembro, começam a juntar madeiros e cepos no largo principal da localidade. O lume gigante será aceso na noite de 24 de Dezembro «para iluminar o nascimento de Cristo». A Sul, na vila de Barrancos, cumpre-se esta tradição. É o ponto de partida para uma viagem pelas fogueiras do Natal.

Os sinos da Igreja tocam. O som ritmado dá início à procissão em honra da padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Em Barrancos, o 8 de Dezembro é feito de tradições ancestrais e nem o frio que se sente afasta miúdos e graúdos das 
ruas íngremes da vila alentejana. No sobe e desce de artérias estreitas com varandas, neste dia decoradas com mantas, as mais bonitas da casa, a padroeira a todos abençoa. O Natal em Barrancos começa assim.

Os sinos voltam a badalar. A Santa recolhe à Igreja, no Largo da Liberdade. Fecham-se as portas do santuário e inicia-se um outro ritual: os mais novos trazem do campo, arrastando pelas ruas, os primeiros troncos para a fogueira de Natal. Faltam 16 dias para a noite de 24 de Dezembro. Todos os dias até à noite de Natal se depositarão troncos na fogueira. Antigamente, a madeira carregava-se com a força dos braços desde o campo até ao centro da vila. Hoje um tractor trata dos troncos maiores.

Acumulam-se os madeiros, cepos, galheiros no centro do Largo da Liberdade. Uma tradição que apela ao convívio e união característicos da quadra e que se repete um pouco por todo o país. A «fogueira de Natal» é também denominada como «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo».

«Sob a influência da Igreja, a fogueira profana de adoração solar dos Romanos passou a ser cristianizada e a servir de ritual cristão ao culto divino testemunhado na quadra natalícia a Jesus Cristo - considerado o verdadeiro símbolo do Sol que vai nascer, para iluminar todo o homem que vem ao Mundo», explica Soledade Martinho Costa no livro «Festas e Tradições Portuguesas: Novembro/Dezembro».

As tarefas nesta quadra estão bem definidas. As raparigas enfeitam a Igreja para a Missa do Galo, momento religioso que celebra o nascimento de Cristo, enquanto os rapazes roubam os madeiros que serão queimados à noite.

Noutros tempos, os interessados em colaborar eram chamados com o auxílio de um búzio. Envolviam as rodas dos carros de bois com ‘baraços’ de palha de modo a evitar o barulho, para que tudo se processasse no maior silêncio. O transporte, conforme a tradição, continua a ser feito, por vezes, em carro roubado ou utilizado sem autorização dos respectivos donos, puxado por animais, ou empurrado pelos próprios rapazes, num específico rito sagrado, embora, actualmente, seja mais vulgar a utilização dos tractores com o respectivo reboque», lê-se no mesmo livro.

Utilizava-se lenha roubada por se acreditar que «a lenha assim ardida protegia o lar e a família». Estes rituais têm lugar na vila alentejana de Barrancos, protagonista nesta história, mas também noutras localidades como Juncais, Fornos de Algodres, na Guarda, Sernancelhe, em Viseu, Lardosa, em Castelo Branco.

De acordo com Soledade Martinho Costa, «na Antiguidade, o ritual sagrado do fogo, ou lume novo, acontecia por ocasião do solstício do Inverno, com as fogueiras acesas tendo por intenção que o Sol voltasse a brilhar com maior intensidade, temendo-se, particularmente nas comunidades rurais, que as trevas afastassem definitivamente a luz e o calor, situação que correspondia a um acentuado declínio da luz solar e respectiva diminuição gradual do sistema diurno, até ao culminar no dia menor do ano – o dia de Natal».

A 24 de Dezembro, com o entardecer, acende-se o lume. Fica a ganhar força, enquanto dentro de portas se convive em torno da mesa. A Sul come-se peru e bacalhau, este mantém-se nas tradições nortenhas ao qual se junta, nas beiras, o polvo. Os doces ficam já para saborear na rua com a família e vizinhos. Em torno da fogueira comem-se filhoses, sonhos, grelham-se febras e os enchidos. A noite é longa e acompanhada por artistas da terra, toca-se concertina, canta-se ao desafio.

Na vila alentejana, o lume arde frente à Igreja que se enche para a Missa do Galo. Fecham-se portas. Dentro faz-se silêncio. Fora fica um burburinho que aguarda o final da missa para se elevar. Mais uma vez os sinos assinalam o fim do acto religioso. Abrem-se as portas da Igreja.

Em Barrancos, começam a tocar as zambombas (em Espanhol). Uma tradição que chega pela proximidade com Espanha (a localidade espanhola mais próxima está a oito quilómetros). O instrumento é tocado pelas festividades natalícias e é considerado de percussão. Trata-se de um tambor de fricção.

O instrumento é composto de um objecto cilíndrico, construído por exemplo em madeira ou cerâmica. Uma das extremidades do cilindro é fechada com pele. No centro da pele faz-se um pequeno orifício através do qual se faz deslizar uma vara. É a fricção da vara na pele que produz o som grave deste instrumento. A festa que reúne a vila em torno do lume gigante do centro da localidade vai durar até ao raiar do Sol.

De Norte a Sul do país, o povo ficará com a missão de manter as fogueiras acesas até ao dia 6 de Janeiro, Dia de Reis. Manda a tradição que se deve manter quente o Menino.
 
in: http://www.cafeportugal.pt/
 

Como o frio da Covilhã vai ajudar a PT a ser mais sustentável

Mäyjo, 24.12.14

Como o frio da Covilhã vai ajudar a PT a ser mais sustentável (com VÍDEO)

Localizado estrategicamente na cidade da Covilhã, a mais fria de Portugal, o novo centro de dados – ou data center – da Portugal Telecom impressiona pelo seu design. Mas é no seu vanguardismo tecnológico e investimento em sustentabilidade que ele se torna mais interessante para a tecnológica portuguesa.

“Este é um data center de nova geração, que cumpre com as melhores práticas da indústria à escala global”, explicou ao Economia Verde o responsável pela infra-estrutura, Miguel Covas.

Situado mesmo à saída da Covilhã, com a serra à vista, este é o maior centro de dados da Europa e vai permitir à PT reduzir a sua factura energética em 40%, uma poupança que poderá reflectir-se num preço mais competitivo na oferta de serviços.

“Ao contrário das nossas casas, que temos necessidade de aquecer, no Inverno, e arrefecer, no Verão, num data center a necessidade é sempre de arrefecimento”, frisou Miguel Covas. “Na Covilhã faz frio, e o objectivo é aproveitarmos o que a mãe natureza nos disponibiliza aqui, o ar frio. Em vez de utilizarmos os ares-condicionados para arrefecer, utilizamos este ar frio para arrefecer e climatizar os computadores”.

O megacubo tecnológico ergue-se no meio de um espelho de água, que foi pensado para armazenar toda a água da chuva. Há ainda vários depósitos de ar frio, que têm como objectivo arrefecer o ambiente.

Os data centers têm de operar com temperaturas entre os 18º e os 27º, razão pela qual a Covilhã acaba por ser uma excelente escolha para esta infra-estrutura. Inaugurado em Setembro último, o data center conta com mais de 1.600 painéis fotovoltaicos, sendo que 75% do fornecimento de energia é de fontes renováveis.

 

Foto: Jsome1 / Creative Commons

Permacultura na Escócia: "Garden Cottage"

Mäyjo, 24.12.14
Garden Cottage, 1991
No vídeo abaixo, o depoimento de Graham Bell sobre a sua experiência de cerca de 25 anos em permacultura, num clima temperado (situa-se emColdstream, nas fronteiras da Escócia, a uma latitude semelhante a Moscovo, Dinamarca ou Canadá).  
 
"Garden Cottage" tem uma área de cerca de 800 m2, e chega a produzir mais de 1 tonelada de alimentos num ano. A produção pode ser muito inferior à obtida no caso de Urban Homstead na Califórnia, mas mesmo assim é um excelente resultado  para o clima da Escócia.

Garden Cottage, 1996
«Visite Graham e Nancy Bell, professores de permacultura e criadores da mais antiga floresta de alimentos em permacultura na Grã-Bretanha.  Há mais de 20 anos, começaram a plantar uma grande variedade de árvores de fruto, hortaliças, plantas perenes e muito mais num campo atrás da sua casa no campo.
 
Garden Cottage, 2009
Agora, um dos primeiros jardins floresta da Grã-Bretanha é uma floresta temperada diversificada que produz alimentos alimentar que quase se cuida a si própria. Como Graham explica, 25 anos pode parecer muito tempo para planear e criar um projeto de permacultura, mas é menos do que a metade de vida humana - por isso é possível! Graham também explica o que é a permacultura, por que é muito mais do que jardinagem, e que o inspirou a escrever seus dois livros best-seller.»

Fontes: Texto: Tradução de Permaculture UK  ;  Imagens:  Garden Cottage